Casa Fiat de Cultura Exposição Nem tudo tem que ser pra sempre Obra O Aniversário Renata Laguardia e1493154347917 - "Nem tudo tem que ser pra sempre": Renata Languardia na Piccola Galleria da Casa Fiat de CulturaCultura 

“Nem tudo tem que ser pra sempre”: Renata Languardia na Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura

A pintora apresenta uma série de retratos coletivos e explora questões da pós-modernidade

A artista mineira Renata Laguardia é a próxima a apresentar suas obras na Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura. A exposição “Nem tudo tem que ser pra sempre” reúne um conjunto de sete telas e dois vídeos, por meio dos quais a artista explora o gênero de retratos de grupo e discute como as identidades dos sujeitos são construídas na pós-modernidade. A mostra, com entrada gratuita, fica aberta à visitação de 27 de abril a 28 de maio e é a última exposição de artistas contemplados na 1ª edição do programa de seleção da Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura.

Na mostra, Renata Laguardia apresenta uma seleção de dois vídeos e sete telas. As pinturas são óleos, acrílicas e guaches sobre telas que recriam as tradicionais fotos de turmas escolares, uma paisagem marítima e alguns retratos de férias e momentos em família. “É geralmente durante as férias no litoral que a maioria das famílias fazem seus retratos coletivos. É em frente ao mar que muitas pessoas escolhem se postar, sozinhas ou acompanhadas, para marcar aquele momento, aquela viagem especial. Mas essas imagens estão permeadas por relações problemáticas, tensões, identidades sociais, hierarquias”, ressalta Renata.

Foi ao perceber o mar como um dos cenários mais tradicionais dos retratos de grupo contemporâneos, que a artista passou a pintar paisagens marítimas. Estas pinturas têm influência da série Beach Portraits (1992–2002), produzida pela artista holandesa Rineke Dijkstra. Tradicionalmente feitos em formato paisagem, com a largura maior que a altura, os cenários apresentados por Renata são em formato retrato, com altura maior que a largura. Ela escolheu um óleo sobre tela para representar este conjunto de pinturas. “Essa pequena subversão formal foi intuitiva, mas diz bastante das pequenas subversões apresentadas em minhas obras, como ligeira distorção de cores, experimentação de formatos, certa imperfeição nas figuras humanas realistas”, explica a artista.

As telas que retratam grupos escolares destacam as poses e movimentos de alunos em  momentos do cotidiano de uma escola, como a celebração do aniversário de um aluno. Estas pinturas dialogam com o vídeo batizado pela artista de “La dame blanche” (2016), que mostra uma professora organizando uma pequena turma de alunos para uma foto. O curta investiga o processo de criação de um retrato coletivo. Já o segundo vídeo, “L’ eau” (2015), é uma videoperformance associada diretamente à tela que representa o mar. No vídeo, a própria artista aparece sendo atingida por gotas, jatos e fluxos de água cada vez mais fortes, até culminarem em uma espécie de onda do mar.

A pesquisa de mestrado de Renata Laguardia, que tem como tema o retrato de grupo na pós-modernidade, tem grande influência no conceito de sua exposição, assim como a obra Modernidade Líquida (2001), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017). De acordo com a artista, “vivemos uma época de liquidez, de fluidez, de volatilidade, de incerteza e insegurança. É nesta época que toda a rigidez e todos os referenciais morais da época anterior, denominada por Bauman como modernidade sólida, saem de cena para dar espaço à lógica do agora, do consumo, do gozo e da artificialidade”, explica. Dentro das relações, instituições e construções sociais voláteis na contemporaneidade está a identidade dos sujeitos e a forma como eles se representam e são representados. E foi a partir dessas reflexões que surgiu o título da exposição: “Nem tudo tem que ser pra sempre”. O texto curatorial é de Gabriela Carvalho, que apresenta as frestas de significação das obras de Renata Laguardia.

Outras influências para Renata são os artistas Trish Morrissey, irlandesa conhecida por autorretratos e performances, Cindy Sherman, fotógrafa e diretora de cinema norte-americana, famosa por seus autorretratos conceituais, e o pintor alemão Gerhard Richter.

Em 2016, ano em completou 10 anos de atividades, a Casa Fiat de Cultura abriu as portas da Piccola Galleria, seu novo espaço para as artes visuais, em um programa de seleção de exposições individuais ou coletivas. A instituição convidou os artistas Yara Tupynambá, Miguel Gontijo, Fernando Pacheco e Umberto Nigi, que já realizaram exposições na Casa Fiat e têm visões e opiniões distintas sobre a arte, para selecionar os trabalhos. Dentre os 40 inscritos, os artistas Antonio Pinto da Fonseca Junior, Daniel Pinho, Daniel Tavares, Marcus Amaral, Thaieny Dias e Renata Laguardia foram os seis selecionados desta edição, que contará com uma série de mostras inéditas e de curta duração, que se encerra em 2017, sempre com entrada gratuita.

A exposição “Nem tudo tem que ser pra sempre: Renata Laguardia na Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura” é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, da Casa Fiat de Cultura, com o apoio do Grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA), Banco Fidis, Fiat Finanças, CNH Industrial, New Holland, Banco Safra, Circuito Liberdade, Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), Governo de Minas e Governo Federal.

Renata Laguardia

Renata Laguardia é mineira de Belo Horizonte e tem 26 anos. Graduou-se em Artes Visuais com Habilitação em Pintura e Desenho pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e é mestranda em Fotografia pela Escola Europeia Superior de Imagem, na França, com pesquisa sobre o retrato de grupo na pós-modernidade.

Atualmente, as obras de Renata integram o portfólio da galeria Celma Albuquerque, o que permite dizer que ela é uma aposta das artes visuais. A artista foi selecionada para o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia (Belém), e já realizou as exposições Douze façons remarquables d’utiliser une brique (Centre d’art contemporain Les Bains Douches- Chauvigny França), O que não é vasto é raso (Memorial Minas Gerais Vale) e Dois Espaços (BDMG Cultural).

Ateliê Aberto de Pintura e visitas mediadas

O Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura realiza, durante os fins de semana do mês de maio, o Ateliê Aberto de Pintura, explorando desta vez a própria linguagem da pintura. O s participantes serão estimulados a criar trabalhos autorais, experimentando o processo de produção nessa técnica, tendo como inspiração as obras da artista Renata Laguardia.

O Ateliê Aberto de Pintura vai oportunizar o contato e a produção autoral em pintura, por meio das tintas guache, para crianças, e acrílica, para adultos. As atividades serão com experimentações livres de suportes. Haverá pintura sobre papéis de tipos diferentes, sobre tela, uso de formatos não convencionais, temáticas livres, abstratas e figurativas. A proposta é promover o máximo de experimentação de suportes e dimensões de pinturas, e mostrar como novos formatos e recursos podem ampliar os limites criativos de quem pinta.

As atividades do ateliê acontecerão sempre aos sábados e domingos: dias 6 e 7, 13 e 14, 20 e 21, e 27 e 28 de maio. No período da manhã, das 10h às 12h, aberto à participação de crianças até 12 anos, e, no período da tarde, das 14h às 18h, aos maiores de 12 anos. Todas as atividades contarão com a orientação de um mediador, que auxiliará os participantes durante toda a permanência no ateliê. Os interessados deverão usar roupas confortáveis e adequadas ao manuseio de tintas, colas e outros materiais. As crianças menores de 10 anos deverão ser acompanhadas por um adulto responsável. Não é necessário inscrição prévia e a participação é gratuita.

Além das atividades do Ateliê Aberto, durante o período da exposição, o Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura vai oferecer, para públicos agendados e espontâneos, visitas mediadas e acessíveis a todas as pessoas, sejam elas deficientes ou não. Durante as visitas, as educadoras vão sensibilizar os visitantes sobre como as ações do cotidiano ajudam a compor a identidade dos indivíduos na contemporaneidade e como esse fenômeno se manifesta nos retratos coletivos feitos hoje.

Piccola Galleria

A Piccola Galleria é um espaço dedicado às expressões artísticas, situado ao lado do painel “Civilização Mineira”, de Candido Portinari, no Hall Principal da Casa Fiat de Cultura. O local é destinado a novos artistas e foi criado em 2016 com o intuito de incentivar a produção nacional e internacional. A proposta é apresentar e destacar trabalhos inéditos – pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, fotografias, instalações, performances e/ou videoarte – de artistas locais, brasileiros ou estrangeiros.

No espaço são realizados dois tipos de mostras: aquelas programadas pela própria Casa Fiat de Cultura e as destinadas aos artistas que tiveram seus trabalhos selecionados. Isto porque anualmente a Piccola Galleria abre processo de seleção para receber novas exposições. Por meio de um processo simples e informal, artistas locais, brasileiros ou estrangeiros têm a oportunidade de apresentar suas obras em um local intimista, mas com grande circulação de público, com a chancela da Casa Fiat de Cultura e do Circuito Liberdade, um dos mais importantes corredores culturais do país.

O 2º Programa de Seleção da Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura está aberto e os interessados têm até o dia 3 de maio de 2017 para se inscrever. O artista interessado deverá entregar material contendo proposta conceitual da exposição; lista de obras a serem apresentadas com identificação, medidas, técnica e ano de produção; fotos em alta resolução das obras de arte (impressas ou em CD ou pendrive) e currículo na recepção da Casa Fiat de Cultura (Praça da Liberdade, 10, Funcionários – Belo Horizonte, Minas Gerais).

As demais orientações podem ser obtidas no programa de seleção disponibilizado no site www.casafiatdecultura.com.br. A resposta será encaminhada, via e-mail, em um prazo de até 60 dias.

Casa Fiat de Cultura

Há 10 anos, a Casa Fiat de Cultura cumpre importante papel na transformação do cenário cultural mineiro, ao apresentar, em Belo Horizonte, 30 importantes exposições, de renomados artistas brasileiros e internacionais. A grande arte de Caravaggio, Chagall, De Chirico, Rodin, Tarsila do Amaral e outros pôde ser apreciada e discutida de forma gratuita ao longo dos anos, por todos os públicos, de todas as idades e classes sociais.

Sempre com mostras inéditas, a instituição, mantida pelas empresas do Grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e CNH Industrial, desenvolve um Programa Educativo que é peça fundamental nesse trabalho de valorização e de ampliação do conhecimento proporcionado a seu público. Para cada exposição, são idealizados conceitos e temáticas a serem trabalhados em atividades educativas, em um modelo de Ateliê Aberto, que proporciona aos visitantes um espaço de experimentação livre e de participação nos processos do fazer criativo.

Cerca de 2 milhões de pessoas já visitaram a Casa Fiat de Cultura e mais de 300 mil pessoas participaram das atividades educativas. Para cada público, uma abordagem especial é adotada, com o intuito de encantar e transformar, de maneira positiva, o imaginário de cada visitante. É com esse espírito de envolvimento e inclusão que a Casa Fiat de Cultura tornou-se referência no Brasil, por meio da arte e da cultura, ao proporcionar experiências memoráveis ao público.

Serviço:

Exposição

De 27 de abril a 28 de maio de 2017

Terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h

Entrada gratuita

Ateliê Aberto de Pintura

Dias: 6 e 7, 13 e 14, 20 e 21, e 27 e 28 de maio.

Das 10h às 12h para crianças até 12 anos

Das 14h às 18h para maiores de 12 anos

Vagas limitadas a 20 pessoas por horário, não é necessária a inscrição

Entrada Gratuita

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG

Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h – Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h

Informações: (31) 3289-8900

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