Cultura 

Grupo Trampulim estreia o espetáculo “Acorda” no CCBB BH

Palhaços abordam a relação entre espaço/tempo

Na casa, quatro palhaços organizam seus mundos e encaram a complexidade do espaço/tempo. Este é o ponto de partida do espetáculo “Acorda”, 18ª montagem do Grupo Trampulim, que será apresentada de 11 a 14 de maio, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB – BH). O espetáculo é apresentado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura e Colégio Magnum.

Dirigida por Paula Manata, e com coordenação de dramaturgia assinada por Assis Benevenuto, a peça tem a casa como origem. Lar, rotina, segurança, mas também confinamento e vulnerabilidade. Dentro desse espaço de pausa surge uma sequência irreversível de eventos e significados. Novas extensões do medo, delírio entre sono e vigília, e a dinâmica da vida que escapa ao controle.

“Quando iniciamos este trabalho, tínhamos claramente o desejo por uma estética mais voltada para o terror. Investigamos nossos medos pessoais, nossos próprios pesadelos, e nos deparamos com um terror transvestido de rotina. Com o pesadelo de não dar tempo, a aflição de não conseguirmos abrir espaço na vida para simplesmente exercermos nossa existência: escovar os dentes, dormir sem hora para acordar, tomar um café, passear com o cão. Daí partimos. Do que nos engole, ações banais do cotidiano, uma casa e os muitos mundos possíveis”, explica Poliana Tuchia, palhaça e membro do grupo.

Na linha imperceptível entre imaginação e realidade, o tempo só ameaça quando é curto. O relógio só é visível quando desperta. A consciência do tempo traz mal estar e riso. No elenco Adriana Morales (Benedita Jacarandá), Chaya Vazquez (Conselhos), Poliana Tuchia (Socorro) e Tiago Mafra (Sabonete), habitam esse espaço, dividindo o tempo em cenas coletivas e entradas individuais. Rafael Protzner assume a pausa fazendo a assistência de direção.

Aprofundar na linguagem do palhaço é um desafio constante e diário no fazer artístico. “Porque o riso? Palhaço ou personagem? Drama ou comédia? Neste trabalho muitas perguntas ficam, mas uma certeza temos: Somos palhaços! Poetas cômicos! Com alma de circo, com tempo do teatro, com música da rua. Reencontrar com Trampulim foi reencontrar com a minha alma, alma de palhaço… Que este encontro acorde a sua/nossa alma de palhaço”, afirma a diretora Paula Manata.

“Com a direção da Paula, as ideias foram escancaradas, limpas. Dentre mil propostas emergiu a mais latente: a que falava das nossas vidas, das escolhas, do tempo, do espaço, dos desejos que adormecem pela rotina. Mergulhamos nas trevas, mas fomos resgatados. Caímos no riso, afrouxamos a corda no pescoço e respiramos… Foi preciso muita coragem para assumir que sim! A corda aperta e qualquer movimento pode matar, assim como qualquer respiro pode salvar. Uma ação é sempre decisiva. ACORDA é a nossa ação!”, finaliza Poliana.

Serviço:

Data: 11 a 14 de maio.

Horários: 19h

Local: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB – BH) – Praça da Liberdade, 450 – Funcionários.

Ingressos: R$ 20,00 inteira / R$ 10,00 meia

Vendas: A partir de 03/05 na bilheteria do CCBB ou pelo site www.eventim.com.br

Duração: 50 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Sobre o Grupo Trampulim

O Grupo Trampulim é reconhecido por sua maneira autêntica de se comunicar com o público. Criado em 1994 dentro da Spasson – Escola Popular de Circo, o grupo passou por diversas fases mantendo-se sempre leal ao compromisso com a criação e o riso.

Seus espetáculos revelam uma relação direta e verdadeira com a plateia. Refletem a diversidade de formação dos seus integrantes, que trazem questões comuns ao circo, ao teatro, à música e à improvisação para desenvolver uma linguagem genuína, que tem como foco a pesquisa incansável do ofício do palhaço e suas diversas linhas de trabalho.

Durante seus 23 anos de existência o Trampulim criou 18 espetáculos e mantém cinco em seu repertório, além de oficinas de formação e vasta circulação nacional e duas inserções no mercado internacional: Canadá e Portugal. Conquistou prêmios expressivos nas áreas de circo, teatro de rua e artes cênicas, além de realizar em Belo Horizonte duas edições do festival ÍMPETO – Invasão Mundial de Palhaços e Todos os Outros. Em 2016 o grupo participou do projeto de circulação Nacional Palco Giratório realizado pelo SESC Nacional, passando por 31 cidades de 11 estados brasileiros.

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